Natzweiler-Struthof – Campo de Concentração Nazi

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Uma experiência, uma lição de vida, fui convidada a representar Portugal no Parlamento Europeu em Estrasburgo, uma estudante de Psicologia, pouco ou nada sabia da vida, com pouco tempo de Universidade. Fiz a minha primeira viagem, ao estrangeiro de autocarro, viajando por Espanha e França, conhecendo vários pontos importantes de cada país, os que mais me marcaram foi Estrasburgo, Natzweiler, Paris e Bearitz…

Entrada do campo principal (atrás aparece parte do monumento erguido depois da guerra em homenagem às vítimas), só de olhar para ele ficamos de coração apertado…

Natzweiler-Struthof foi um campo de concentração nazista localizado nos Vosges, perto da vila alsaciana de Natzwiller (alemão: Natzweiler) e da cidade de Schirmeck, cerca de 50 km a sudoeste de Estrasburgo, na França. Foi o único campo nazista localizado no actual território francês. Na época, a área da Alsácia-Lorena onde se encontrava, era administrado pela Alemanha e parte integral do Reich alemão.

Depois de mais de três anos de funcionamento, estes prisioneiros sobreviventes foram obrigados a realizar uma Marcha da Morte até há Alemanha, enquanto uma pequena unidade continuou a cuidar das operações restantes. Em 23 de Novembro de 1944 ele foi o primeiro campo descoberto e libertado  pelos Aliados na Europa Ocidental, ainda ocupado por este pequeno staff nazista, no mesmo dia em que atingiram Estrasburgo.

O número total de prisioneiros que por lá passaram nestes três anos atingiu 52.000, oriundos de diversos países, entre eles Polónia, União Soviética, Holanda, Noruega, Eslovênia e França. Ele foi estabelecido especialmente para receber os atingidos pelo Nacht und Nebel, o edito de Adolf Hitler de fins de 1941, especialmente integrantes dos movimentos de resistência. Estima-se que cerca de 22.000 morreram no campo e seus sub-campos. A visita a este campo não tenho forma de descrever, o que as pessoas sofreram, porque nós visitantes, ficamos chocados com tanta crueldade, ainda hoje, quando revejo as fotos sinto uma dor no peito, entre colegas fomos partilhando o que íamos sentindo ao visitar o campo. O meu desejo era sair dali o mais rápido possível.

Ele possuía um crematório e uma câmara de gás improvisada, não usada para extermínios em massa; mesmo assim judeus foram mortos nela, na época em que Josef Kramer – futuro comandante e carrasco de milhões deles em Auschwitz – comandou o campo.

Ciganos também foram gaseificados ali como cobaias para o teste de novos gases letais.Um total de 4.431 mortes foram documentadas, pelo campo havia rasto desde de sapatos, fotografias de seres mortos empilhados em cima uns dos outros. Os Judeus eram forçados a trabalhos extenuantes, experiências médicas, inanição e tratamento violento.

Como o número de mulheres prisioneiras era pequeno, apenas sete guardas femininas trabalharam em Natzweiler-Struthof e 15 no complexo de sub-campos adjacentes. Sua principal função era vigiar as prisioneiras trazidas para experiências médicas ou execuções; várias guardas também eram trazidas ao campo para treinamento, seguindo depois para outros campos no interior da Alemanha. Quem não obedecia às ordens era executado. Os outros assistiam. O campo é cercado por arame farpado ligado à corrente eléctrica, e assim era impossível fugir.

A sensação de estar aqui, pensar no sofrimento humano causado pelos nazis, causa-nos algum terror, com vontade de fugir rapidamente dali.

A colecção de esqueletos judeus

Natzweiler-Struthof também produziu uma colecção de esqueletos de judeus especialmente assassinados para estudos de anatomia em institutos alemães. Ela foi composta de um grupo de 115 judeus escolhidos a dedo por suas notadas características raciais estereotipadas.

Os corpos dos homens e das mulheres foram enviados para Estrasburgo para estudos. Em 1944, com a aproximação dos Aliados, havia preocupação entre os nazistas sobre a possibilidade dos corpos serem descobertos, já que, mantidos congelados, eles ainda não haviam sido descarnados. A primeira parte do processo era o de fazer moldes anatómicos dos corpos antes de reduzi-los a esqueletos. Estas paredes tem memória de como tudo aconteceu, consegue-se sentir o terror vivido aqui no tempo Nazi.

Quando os Aliados libertaram a Alsácia em 1945, encontraram na Universidade, 86 corpos de homens e mulheres dos quais em 70 faltavam o crânio. Tudo isto é possível recordar neste acampamento, consegue-se ter a percepção de tudo como tivesse acontecido ontem.

Ainda recordo a magreza extrema das pessoas representada pelas fotos, presas ás paredes como se prendiam antigamente os cavalos às portas das pessoas, mas numa posição ingrata, pois não conseguiam estar de pé nem sentados, simplesmente macabro…

Wolfram Sievers e Rudolf Brandt foram presos pelos Aliados após a guerra, julgados e condenados à morte no Julgamento dos Médicos em Nuremberg (1946/47).Os dois foram enforcados em 2 de Junho de 1948 na prisão de Landsberg.

Parte Histórica retirada da (Wikipédia)

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